KnoWhy #168 | Agosto 27, 2020
Por que a correspondência entre Morôni e Paorã foi importante?
Postagem contribuída por
Scripture Central

"E aconteceu que enviou imediatamente uma epístola a Paorã" Alma 59:3
Título: Citação: Resumo e descrição do texto SEO: Acreditando que Paorã estava abandonando seu dever para com Deus e a causa nefita, Morôni escreveu-lhe com raiva, pedindo sua ajuda em seus esforços de guerra. Ele ameaçou: "[A] não ser que vos apresseis para defender vosso país e vossos pequeninos, a espada da justiça que pende sobre vós". Após esclarecer que uma tentativa de golpe forçou o governo ao exílio, Paorã calmamente instou pela resistência contínua contra ameaças domésticas e estrangeiras à liberdade nefita. Tags: Alma, Amoron, Capitão Morôni, Capítulos da Guerra, Epístolas, Guerra, Juiz Supremo, Lamanitas, Livro de Mórmon, Morôni, Nefia, Nefitas, Paorã legenda: Imagem do Capitão Morôni, de Jody Livingston
O conhecimento
Os capítulos finais do livro de Alma (Alma 60-61) incluem uma série de cartas escritas entre Morôni e o juiz supremo Paorã. O catalisador para essa troca foi a vitória lamanita de tomar a cidade de Nefia: "E assim, sendo muito numerosos, sim, e recebendo reforços diariamente, avançaram contra o povo de Nefia, sob o comando de Amoron, e começaram a matá-los num grande massacre" (Alma 59:7). A resposta nefita a esse ataque foi tudo menos positiva. "Eles duvidaram e também se espantaram com a iniquidade do povo; e isto por causa da vitória dos lamanitas sobre eles" (Alma 59:12). Morôni escreveu com raiva a Paorã exigindo ajuda com o esforço de guerra (Alma 60:24-25). Acreditando que Paorã estava abandonando seu dever tanto para com Deus quanto para com a causa nefita (vv. 20-23), Morôni ameaçou: "[A] não ser que vos apresseis para defender vosso país e vossos pequeninos, a espada da justiça que pende sobre vós cairá sobre vós e visitar-vos-á até vossa completa destruição" (v. 29).
A resposta de Paorã a Morôni é um tanto surpreendente. Após esclarecer que uma tentativa de golpe forçou o governo ao exílio (Alma 61:3-5), o juiz supremo nefita respondeu: "E agora, em tua epístola censuraste-me, mas isso não importa. Não estou zangado; antes, regozijo-me pela grandeza de teu coração" (v. 9). Em vez de ficar na defensiva, Paorã ignorou a explosão emocional de Morôni. "[M]eu amado irmão Morôni", respondeu Paorã, "resistamos ao mal; e ao mal que não pudermos resistir com nossas palavras, sim, como revoltas e dissensões, resistamos com nossas espadas, a fim de conservarmos nossa liberdade, a fim de regozijarmo-nos no grande privilégio de nossa igreja e na causa de nosso Redentor e nosso Deus" (Alma 61:14). Em vez de responder a Morôni por assumir o pior dele, Paorã explicou calmamente a situação e exortou a resistência contínua contra ameaças domésticas e estrangeiras à liberdade nefita. Essa conversa entre Morôni e Paorã é reveladora em vários níveis. Para começar, parece que a forma epistola,r usada por Morôni e Paorã segue algumas convenções antigas. Robert F. Smith explicou que uma coisa notável sobre essas e outras epístolas do Livro de Mórmon "é que elas nunca violam o antigo formato hitita-sírio, neo-assírio, amarna e hebraico, no qual o correspondente sênior sempre aparece primeiro".1 A correspondência entre Morôni e Paorã também fornece vislumbres importantes das personalidades desses homens. Embora ele fosse um homem de grande fé, é claro que Morôni também era suscetível à raiva, frustração, dúvida e indignação fora do lugar para aqueles que ele acreditava que o haviam menosprezado. Ao mesmo tempo, Paorã revela em sua carta que é um homem de paciência diante de uma acusação equivocada. Sua "resposta é um exemplo notável de contenção emocional. Ao escolher não se ofender, ele foi capaz de se comunicar com clareza e trabalhar para resolver o problema".2
O porquê
O fato de Mórmon ter preservado a carta de Morôni a Paorã em sua compilação é notável. Isso mostra um nível de honestidade por parte de Mórmon, pois ele estava disposto a incluir informações que retratavam Morôni, um de seus heróis (Alma 48:17),3 sob uma luz pouco lisonjeira.
Os leitores podem aprender uma lição importante com o erro de Morôni. As ansiedades e frustrações de Morôni eram certamente reais. Ele e seu exército estavam enfrentando sérias ameaças lamanitas, e nenhuma ajuda vinha do governo. No entanto, ele poderia ter se beneficiado de dar a Paorã o benefício da dúvida e ter cuidado para não tirar conclusões precipitadas ou fazer julgamentos injustificados. Seu exemplo adverte os leitores a terem cuidado para não permitir que a raiva, a dúvida ou a incerteza criem uma influência negativa. Como ensinou o presidente Dieter F. Uchtdorf: "Às vezes, surgem dúvidas porque simplesmente não temos todas as informações e precisamos apenas de um pouco mais de paciência. Quando toda a verdade for finalmente conhecida, as coisas que antes não faziam sentido para nós serão satisfatoriamente resolvidas". Consequentemente, o Presidente Uchtdorf recomendou: "[D]uvidem de suas dúvidas antes de duvidarem de sua fé".4 Embora o Presidente Uchtdorf tenha falado especificamente daqueles que questionam seu testemunho do evangelho, seu conselho pode ser aplicado a outras áreas, como quando há dúvidas sobre a sinceridade ou as intenções de alguém, como no caso de Morôni. Também dando um exemplo importante para os leitores modernos, Morôni finalmente se reconciliou com Paorã e "encheu-se de coragem e de imensa alegria, devido à fidelidade" do juiz supremo (Alma 62:1). Os dois finalmente deixaram todo o mal-entendido para trás e uniram forças em uma tentativa bem-sucedida de restaurar Paorã ao assento de juiz (vv. 6-8).
Leitura Complementar
Robert F. Smith, "Epistolary Form in the Book of Mormon", FARMS Review 22, no. 2 (2010): pp. 125–35. Larry W. Tippetts, "Toward Emotional Maturity: Insights from the Book of Mormon", em Religious Educator 11, no. 2 (2010): pp. 89–103.1. Robert F. Smith, "Epistolary Form in the Book of Mormon", FARMS Review 22, no. 2 (2010): p. 127. 2. Larry W. Tippetts, "Toward Emotional Maturity: Insights from the Book of Mormon", Religious Educator 11, no. 2 (2010): p. 96. 3. Ver o artigo da Central do Livro de Mórmon, "Por que Mórmon via o Capitão Morôni como um herói? (Alma 48:17)", KnoWhy 155 (8 de julho de 2017). 4. Dieter F. Uchtdorf, "Venham, Juntem-se a Nós", A Liahona, novembro de 2013, pp. 21-24.