KnoWhy #225 | Agosto 21, 2019
Por que a paz durou tanto tempo em 4 Néfi?
Postagem contribuída por
Scripture Central

"[E] certamente não poderia haver povo mais feliz entre todos os povos criados pela mão de Deus." 4 Néfi 1:16
O Conhecimento
A época histórica registrada em 4 Néfi foi descrita como o "tempo mais glorioso, feliz, progressivo e iluminado de todas as civilizações jareditas, nefitas e lamanitas combinadas".1 Mórmon registrou: "[N]ão poderia haver povo mais feliz entre todos os povos criados pela mão de Deus" (4 Néfi 1:16). Andrew C. Skinner explicou: "Em quarenta e nove versículos curtos, vemos o funcionamento prático da lei do reino celestial, a verdadeira ordem do céu na Terra e o padrão ideal de serviço de bem-estar."2 No entanto, apesar do escasso resumo de Mórmon, isso pode fazer com que os leitores se perguntem como é que os nefitas sustentaram quase dois séculos de paz ininterrupta.3 Embora Mórmon tenha dado uma breve descrição dos traços sociais que sustentam e resultaram em tal paz, 4 Robert A. Rees sugeriu que essa estabilidade duradoura se deveu pelo menos aos eventos dramáticos e comoventes que cercaram a visita de Cristo. Rees disse:
Se tivesses sido uma criança durante aquele momento importante, imagine como seria sua vida pelo resto de seus dias; imagine as histórias que você contaria aos outros sobre a escuridão que o cercava a noite toda e como, naquele momento de profundo desespero, a luz veio primeiro como uma voz e depois como um raio que se transformou em uma pessoa tão brilhante quanto o sol, e como sua luz fluiu em seus olhos e em seu coração, fazendo com que todo o seu corpo se iluminasse com a luz do sol.5
Tais experiências certamente deveriam ter deixado impressões duradouras e são um indicador de que "amar, abençoar e ensinar as crianças deve ter sido parte integrante da missão [de Cristo]".6 Aqueles que eram crianças na época da visita de Cristo cresceram e se tornaram os pais e avós das novas gerações. Rees propôs que "esses grandes eventos, essas poderosas narrativas pessoais de luz dominando as trevas, deveriam ter sido contadas e narradas" entre o povo.7 Além disso, é possível que essas histórias sagradas tenham sido transmitidas às novas gerações como santos fiéis, "continuando a jejuar e a orar e a reunir-se amiúde, para orar e ouvir a palavra do Senhor" (4 Néfi 1:12).8 Quando os filhos e netos participavam do sacramento e adoravam junto com aqueles que haviam participado dos grandes eventos do ministério de Cristo, eles também sentiam o poder do amor e da misericórdia de Cristo.9 Eles teriam ouvido as histórias de suas orações sublimes e curas milagrosas.10 Eles teriam ouvido os testemunhos daqueles que viram, ouviram e sentiram pessoalmente o Salvador ressuscitado.11 Nesse espírito de unidade, eles teriam obtido seu próprio testemunho da bondade de Cristo.
O Porquê
Embora as sociedades ao longo dos tempos tenham buscado a chave para a paz e a felicidade duradouras, poucas conseguiram.12 Algumas se voltaram apenas para as reformas sociais em larga escala ou ações legislativas abrangentes. No entanto, embora esses esforços às vezes realizem muito bem, tendem a não ter o cuidado personalizado e o amor transformador que emanam de Jesus Cristo e de Sua Expiação. Élder Dale G. Renlund enfatizou que "[q]uanto maior a distância entre quem dá e quem recebe, mais aquele que recebe desenvolve um senso de direito de posse".13 Notavelmente, cada geração seguinte em 4 Néfi se afastou daqueles que tiveram contato pessoal com o Salvador, também se afastando de Sua paz, amor e alegria. 14 Depois, Mórmon registrou que "foram degenerando na incredulidade e na iniquidade, de ano para ano" (4 Néfi 1:34).15 No entanto, quanto àqueles que permaneceram justos, Néfi, filho de Leí, profetizou que "o Filho da Retidão aparecer-lhes-á e curá-los-á; e eles terão paz com ele, até que três gerações se tenham passado e muitos da quarta geração" (2 Néfi 26:9). A frase "terão paz com ele" propõe que as três primeiras gerações foram de alguma forma acompanhadas por Jesus. Embora a declaração de Néfi certamente se refira à unidade espiritual, Mórmon confirmou seu cumprimento literal relatando que, após a visita de três dias de Cristo, Ele "manifestou-se a eles repetidas vezes e partiu muitas vezes o pão e abençoou-o e deu-o a eles" (3 Néfi 26:13).
Embora as instituições mundanas tendam a distanciar cada vez mais os destinatários de seus remetentes, a instituição divina do sacramento destina-se a preencher a lacuna entre os destinatários individuais e seu verdadeiro remetente, Jesus Cristo. Isso permitiu que as novas gerações em 4 Néfi sentissem em seus corações o que seus antepassados sentiam e talvez, às vezes, experimentassem a visitação pessoal de Cristo por si mesmas. Na verdade, a única explicação clara de Mórmon sobre como as pessoas obtinham tal paz e felicidade era "em virtude do amor a Deus que existia no coração do povo" (4 Néfi 1:15).16 Esse amor — que Morôni chamou de "o puro amor de Cristo" (Morôni 7:47) — foi certamente concedido aos crentes fiéis de acordo com a promessa sacramental de Cristo: "tereis o meu Espírito convosco" (3 Néfi 18:11). Felizmente, o Senhor, em Sua grande misericórdia, restaurou as bênçãos do sacramento nos últimos dias (ver D&C 20:75-79). Élder Dallin H. Oaks ensinou: 'A ordenança do sacramento torna a reunião sacramental a mais sagrada e importante reunião da Igreja. É a única reunião de domingo da qual a família pode participar reunida."17 Essa ordenança unificadora permite que todo indivíduo digno e toda família justa se acheguem a Jesus, de modo que, assim como as gerações abençoadas em 4 Néfi, elas também "terão paz com ele" (2 Néfi 26:9, ênfase adicionada) "em virtude do amor a Deus" (4 Néfi 1:15).
Leitura Complementar
Robert A. Rees, " Children of the Light: How the Nephites Sustained Two Centuries of Peace", em Third Nephi: An Incomparable Scripture, ed. Andrew C. Skinner e Gaye Strathearn (Salt Lake City e Provo, UT: Deseret Book e Neal A. Maxwell Institute for Religious Scholarship, 2012), pp. 309–328. M. Gawain Wells, " The Savior and the Children in 3 Nephi," Journal of Book of Mormon Studies 14, no. 1 (2005): pp. 62–73, 129. Lindon J. Robinson, " 'No Poor Among Them", Journal of Book of Mormon Studies 14, no. 1 (2005): pp. 86–97, 130. Byron R. Merrill, "There Was No Contention", em Fourth Nephi, From Zion to Destruction, ed. Monte S. Nyman e Charles D. Tate Jr. (Provo, UT: Religious Studies Center, Brigham Young University, 1995), pp. 167–183.1. D. Kelly Ogden e Andrew C. Skinner, Verse by Verse: The Book of Mormon, 2 v. (Salt Lake City, UT: Deseret Book, 2011), 2: p. 228. 2. Andrew C. Skinner, "The Course of Peace and Apostasy: 4 Nephi–Mormon 2", em Book of Mormon, Part 2: Alma 30 to Moroni, ed. Kent P. Jackson, Studies in Scripture: Volume 8 (Salt Lake City, UT: Deseret Book, 1988), p. 218. 3. Para uma possível explicação para a falta de informação de Mórmon em 4 Néfi, ver Brant A. Gardner, " Mormon's Editorial Method and Meta-Message", FARMS Review 21, no. 1 (2009): 99–105. 4. Mórmon relatou que o povo "tinham todas as coisas em comum" (4 Néfi 1:3). Os discípulos fizeram todos os tipos de milagres "em nome de Jesus" (v. 5). O povo "multiplicou-se com grande rapidez" e "casavam-se e davam-se em casamento" (vv. 10-11). Não havia "invejas nem disputas nem tumultos nem libertinagens nem mentiras nem assassinatos nem qualquer espécie de lascívia [...] [nem] ladrões nem assassinos; nem havia lamanitas nem qualquer espécie de itas" (vv. 16-17). O quadro que essa descrição projeta é de igualdade econômica, de dons espirituais totalmente ativos, de casamentos e famílias amorosos e da eliminação do crime, do pecado e das distinções sociais doentias. Para uma discussão mais aprofundada e aplicação dessas condições abençoadas, ver Marlin K. Jensen, "Living after the Manner of Happiness", Ensign, dezembro de 2002, disponível em lds.org; Lindon J. Robinson, " 'No Poor Among Them", Journal of Book of Mormon Studies 14, no. 1 (2005): pp. 86–97, 130. 5. Robert A. Rees, " Children of Light: How the Nephites Sustained Two Centuries of Peace," em Third Nephi: An Incomparable Scripture, ed. Andrew C. Skinner e Gaye Strathearn (Salt Lake City e Provo, UT: Deseret Book e Neal A. Maxwell Institute for Religious Scholarship, 2012), pp. 320–321. 6. M. Gawain Wells, " The Savior and the Children in 3 Nephi," Journal of Book of Mormon Studies 14, no. 1 (2005): p. 66. 7. Rees, " Children of Light", p. 321. 8. O fato de essas reuniões serem de natureza sagrada é parcialmente evidenciado pela declaração inicial de Mórmon de que elas "não se guiavam pelos ritos e ordenanças da lei de Moisés" (4 Néfi 1:12). O sacrifício expiatório de Cristo sinalizou o cumprimento dessas ordenanças mosaicas e levou a uma lei maior acompanhada da ordenança do sacramento. Além disso, o uso que Mórmon faz da frase "reunir-se amiúde" em 4 Néfi 1:12 reflete o mandamento de Cristo de "reunir[se] com frequência" encontrado no contexto sacramental de 3 Néfi 18:22. É evidente que essas reuniões cumpriram o mandamento de Cristo quando Ele disse: "fazendo sempre estas coisas"; que se referia às reuniões e ordenanças sacramentais (3 Néfi 18:12). 9. Ver Richard Lloyd Anderson, " Religious Validity: The Sacrament Covenant in Third Nephi", in By Study and Also By Faith: Studies in Honor of Hugh Nibley, 2 vols., ed. John M. Lundquist e Stephen D. Ricks (Salt Lake City e Provo, UT: Deseret Book and FARMS, 1990), 2: pp. 1-51; Central do Livro de Mórmon, "Por que o Salvador enfatizou Seu corpo ressuscitado durante a administração do sacramento entre os nefitas? (3 Néfi 18:7)", KnoWhy 211 (22 de Setembro 2017).10. Por exemplo, aqueles que testemunharam Jesus orando por eles registraram que "não há língua que possa expressar nem homem que possa escrever nem pode o coração dos homens conceber coisas tão grandes e maravilhosas como as que vimos e ouvimos Jesus dizer; e ninguém pode calcular a extraordinária alegria que nos encheu a alma na ocasião em que o vimos orar por nós ao Pai" (3 Néfi 17:17). 11. Ver o artigo da central do Livro de Mórmon, "Por que Jesus ministrou às pessoas "uma a uma?3 Néfi 18:7)", KnoWhy 209 (20 de setembro de 2017). 12. Ver Byron R. Merrill, "There Was No Contention," em Fourth Nephi, From Zion to Destruction, ed. Monte S. Nyman e Charles D. Tate Jr. (Provo, UT: Religious Studies Center, Brigham Young University, 1995), p. 169: "Com períodos de paz tão incomuns na narrativa, ter um tempo sem disputas deve ter parecido a Mórmon uma condição praticamente inatingível. Considerando as circunstâncias de sua época em comparação com toda a história que havia revisado, Mórmon menciona a ausência de contendas quatro vezes em 17 versículos para se convencer de tal espanto, para dissipar a crença de que este é apenas um objetivo celestial e para reforçar a possibilidade de um povo que não contende". 13. Dale G. Renlund, "Para Que Eu (…) Pudesse Atrair a Mim Todos os Homens", A Liahona, abril de 2016, p. 39, disponível em lds.org. 14. Para Mórmon, o primeiro sinal de decadência social foi que uma "pequena parte do povo […] se revoltara contra a igreja" (4 Néfi 1:20). Quando ele se afastou dos convênios e ordenanças de Cristo, começaram a "tornar-se orgulhosos", enchendo-se de ganância e "dividir-se em classes" (vv. 24-26). Depois de "duzentos e dez anos, existiam muitas igrejas na terra [...] professavam conhecer o Cristo, negando, não obstante, a maior parte de seu evangelho" (v. 27). 15. Resumindo as declarações de Hugh Nibley sobre a queda nefita, John Welch explicou que "eles começaram a se isolar. Então sua etnia emergiu — e eles ensinaram seus filhos a odiar os nefitas ou os lamanitas. Aí eles foram nacionalizados, foram militarizados, marcaram território, foram regionalizados, formaram tribos, foram separados, foram divididos, foram polarizados, foram pulverizados, e finalmente evaporaram." Ver John W. Welch, "Understanding the Sermon at the Temple: Zion Society", em Hugh Nibley, Teachings of the Book of Mormon, 4 . (American Fork and Provo, UT: Covenant Communications and FARMS, 2004), 4: p. 172. Para um estudo mais extenso deste tópico, ver Hugh Nibley, The Prophetic Book of Mormon, The Collected Works of Hugh Nibley, Volume 8 (Salt Lake City and Provo, UT: Deseret Book and FARMS, 1992), pp. 530–531. 16. Ver John H. Groberg, "A Força do Amor de Deus", A Liahona, outubro de 2004, disponível em lds.org: "Quando estamos repletos do amor de Deus, conseguimos fazer, ver e compreender coisas que de outra forma não veríamos nem compreenderíamos.Quando estamos repletos do amor Dele somos capazes de [...] evitar as desavenças, recobrar as forças e abençoar e ajudar as outras pessoas de um modo que surpreenderá até a nós mesmos". 17. Dallin H. Oaks, "A Reunião Sacramental e o Sacramento", A Liahona, outubro de 2008, p.17, disponível em lds.org.